Capítulo 12 – Promessas
O interminável beijo, eventualmente terminou. Fernando,
sofregamente, beijou-a novamente. Não conseguiu conter a vontade de estar com
ela, não conseguiu conter a fome que tinha dos seus lábios, da sua boca… Por fim,
controlou-se e afastou-se. Levou a mão ao cabelo, ajeitou-o para trás e colocou
a mão por trás da cabeça, ligeiramente envergonhado.
- Desculpa… - disse, quando recuperou o fôlego. - Desculpa,
aparecer assim. Eu sei que tínhamos combinado para a semana, mas… - Deborah,
olhava para ele estupefata. – Não aguentava mais. Estava com medo que mudasses
de ideias… Sei lá… Desculpa... Estou aqui há algumas horas à espera, não sabia
se ligava…
Deborah, interrompeu-o com mais um beijo. Parecia
que ele havia ouvido as suas preces. Beijou-o apaixonadamente e apertou-se
tanto como se quisesse fundir. Esqueceu por completo que ainda estavam à porta
de casa… Saiu do transe e respirou fundo.
- Vamos lá ver onde estão essas chaves. – Tentou
agir normalmente.
- Essa tua mala… - Fernando, sorriu. – Tens que
arranjar um porta-chaves florescente, assim nunca mais tens esse problema. A
minha mãe também é assim, nunca encontra as chaves na mala e tem lá coisas que
só Deus sabe. Mas, houve um dia que queimei-me com chá num restaurante e imediatamente
saiu da mala da minha mãe um gel para queimaduras. Nunca mais falei da mala. – Sorriu
com a lembrança.
- Gostamos de estar prevenidas, só isso… - sorriu
de alívio ao encontrar as chaves. – Finalmente.
Abriu a porta, a custo, e convidou-o a entrar.
Ainda bem que tinha um pouco de transtorno obsessivo compulsivo e tinha sempre
a casa arrumada e tudo no lugar. Fernando, agradeceu, retirou os sapatos e colocou-os
à entrada, com naturalidade. Ajudou-a a retirar o casaco e colocou-o no bengaleiro.
Apesar do hall de entrada ser pequeno, os dois estavam em completa sinergia. Parecia
que faziam esse ritual há anos…
- Fica à vontade. A sala fica em frente. Vou fazer
um chazinho, também queres um? Ou café? Ou, uma taça de vinho? O que queres
beber?
Fernando, aproximou-se dela e beijou-a novamente.
Desta vez, com mais calma. Beijou-a como se cada segundo contasse e como se
tentasse gravar na sua memória todas as sensações.
- Deborah… Não quero beber nada, estou bem. Só
quero estar contigo. Vim para estar contigo.
- És um doido. Chegaste quando? – Perguntou enquanto
encostava a cabeça ao seu peito. O cheiro que emanava do corpo dele, deixava-a entorpecida
e sem forças. Tinha mesmo que apoiar-se a ele para não cair.
- Cheguei hoje à tarde. Depois fui fazer check-in
no hotel e aguardei que chegasse o final do dia para vir até à tua casa. Esqueci
de perguntar se tinhas planos após o trabalho… - Levou novamente a mão à
cabeça, que era o que fazia sempre que se sentia envergonhado.
- Fui jantar com a Laura, a minha amiga. Por acaso
a conversa prolongou-se porque estávamos obviamente a falar de ti.
- Então foi por isso que não congelei lá fora. Estava
com as orelhas bem quentinhas.
- Tonto… Anda, vamos para a sala. Ainda não
conseguimos sair deste hall minúsculo…
- Eu gosto assim. Não tens outra hipótese sem ser
estar bem juntinho de mim.
- Também podemos ficar bem juntinhos no sofá, e
mais confortáveis…
Fernando, seguiu-a até ao sofá e sentou-se.
Observou-a movimentar-se pela sala. Gostou da decoração da sala, minimalista.
Mesa de jantar, televisão, sofá e um pequeno móvel para os pratos. O quadro do
nascer do sol na parede, fez-lhe recordar que uma das coisas que ela mais apreciava
era o nascer do sol. Algumas peças de madeira, provavelmente de Angola, em cima
do móvel e uma planta no canto da sala. Os tons de azul, amarelo e laranja,
faziam-lhe lembrar o mar e o sol. Era uma sala muito agradável e refletia a paz
que Deborah transmitia.
Levantou-se e puxou-a para o sofá… Sentiu um pouco
de nervosismo da parte dela e decidiu quebrar o gelo.
- Estava com saudades tuas. Espero que não tenhas
ficado chateada por ter vindo assim, sem avisar. Confesso que estava com medo de
que dissesses para eu não vir…
- Não estou chateada, nem por sombras. Fiquei
simplesmente surpresa. Não estava à espera…
- Senti que não podia demorar mais. Passou uma
semana e se eu não viesse ter contigo ia virar zombie… Mal consigo dormir, mal
consigo respirar… Preciso-te…
- Eu… Devo dizer que também estava com saudades tuas.
Mas, são essas saudades que me fazem pensar que isto é loucura… Como vamos
fazer?
- Tu pensas muito, Deborah. Por isso tive de vir…
Tu pensas muito e estás à procura de motivos para isto não resultar. Nem tudo tem
lógica, Deborah.
- O mundo rege-se pela lógica.
- Enganas-te. A Natureza rege-se pelas suas leis
irrefutáveis e o ser humano rege-se pelas emoções. Enganam-se dizendo que se regem
pela lógica. Mas aqueles que se permitem viver, sabem bem que no fim, é aquela
sensação, aquela coisa que não conseguem explicar que dita as suas decisões.
- A minha racionalidade diz-me que isto é loucura.
O meu coração e o meu corpo dizem que isto é o que tem que ser…
- Então, deixa o teu coração tomar as rédeas.
- Olha bem para nós. Vieste ter comigo passado uma
semana. O combinado eram duas. Não podes vir sempre, não poderás vir sempre, nem
eu… E, já estava cheia de saudades. Se isto se intensifica mais…
- Não achas que já está intenso o suficiente. –
aproximou-se. – Não achas que já passou a barreira do controlável? – olhou-a
com luxúria nos olhos e encostou-se ainda mais a ela.
- Fernando… - gemeu e entreabriu os lábios permitindo
que a sua língua a explorasse…
Fernando, beijou-a e acariciou-a de todas as formas
possíveis e imaginárias… De leve, apaixonadamente, desesperadamente… Enrolaram-se
um no outro de uma forma que não se percebia quando um terminava e o outro
começava.
Num momento de clareza, Fernando levantou-se e
beijou-a na testa. Deborah, olhou para ele completamente extasiada e confusa.
- Vou para o hotel. Amanhã de manhã, estarei aqui bem
cedo para levar-te a um sítio especial.
- Vais para o hotel? Como assim? Não vais ficar cá
em casa? – perguntou sem entender o que se passava.
- Vou, sim, Deborah. Se eu fico mais um minuto não
vou conseguir controlar-me e vou querer fazer amor contigo. E, eu prometi que
ia passar uma vida inteira a mostrar que és a mulher da minha vida.
- Sim. Verdade. – corou, estranhamente feliz. – Mas,
isso não nos impede de terminarmos o que começamos. – falou cheia de desejo.
- Ah, ora aí está, Deborah. És a mulher da minha
vida e só tomarei essa liberdade contigo quando fores minha mulher.
Deborah, abriu a boca estupefacta e viu-o afastar-se.
- Amanhã, bem cedo. – Fernando, falou em voz alta,
antes de fechar a porta atrás de si.
Aguardou pelo Uber e pensou na loucura que tinha
acabado de cometer. Não estava a acreditar no que tinha acabado de fazer. Contudo,
fazia toda a lógica. Iria mostrar que não pretendia aproveitar-se dela. Era a
mulher da sua vida e iria tratá-la com todo o respeito que ela merecia, por mais
que lhe custasse. E, não estava fácil, nada fácil resistir…
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