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Capítulo 31 - Epílogo

Epílogo             A Chicala, à hora do almoço, era por norma um local movimentado, mas no dia do casamento de Fernando e Deborah, o movimento foi sem precedentes. Carros e mais carros tentavam estacionar perto da barraca da dona Maria Ngundo. Era o primeiro casamento que acontecia na Chicala. Fernando, nervoso, aguardava pela noiva. José ao seu lado, tentava acalmá-lo. Não entendia o motivo de tanto nervosismo. Não só já haviam casado antes, como viviam juntos há mais de um ano. - Doutor, acalme-se. Ela está quase a chegar. Parece um miúdo. - Quando fores tu a casar quero ver se também não ficas nervoso. Os convidados começavam a chegar. Na primeira fila, Laura e George, visivelmente felizes, orientavam as pessoas para os devidos lugares. Dona Eva, sentada ao lado de Dona Maria, segurava a neta nos braços. Ambas avós, de uma forma saudável, lutavam pela atenção da menina. Os primos e familiares de Deborah, falavam an...
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Capítulo 30 - Faith

Capítulo 30 – Faith             Entre a correria para o hospital, as contrações, as dores, os gritos e a confusão na sala de emergências, Deborah e Fernando mal tiveram tempo para falar.             Fernando, estava a tentar processar a informação. Grávida. Hospital. Parto. Filha. Pai. Estava a horas ou minutos de ser pai, e só agora tinha acabado de saber. Não sabia se ficava chateado com Deborah, ou com ele próprio. Perdeu as consultas, as ecografias, o primeiro movimento… Perdeu a oportunidade de passar a mão na barriga de Deborah e de falar de mansinho com a filha. Valia a pena procurar culpados? Deborah, ainda tentou falar com ele, ele nem por isso. Usou a cadeira de rodas como uma desculpa para não a encarar. Na realidade, tinha medo da rejeição. Não era fácil adaptar-se à nova realidade e pedir a Deborah que o fizesse parecia injusto. Fernando, acompanhou Debora...

Capítulo 29 - Revelação

Capítulo 29 – Revelação             - O Fernando, tem passado por tudo isto? – Deborah, não queria acreditar no relato de Daniela. - Sim. Não está nada fácil para ele, Deborah. O acidente… A fisioterapia… A vontade de estar contigo e contactar-te, mas sem coragem para o fazer… Ele sente-se menos homem… - Eu quero lá saber se ele está numa cadeira de rodas! Temos sorte de ele ter sobrevivido. Que horror… O que ele passou, sozinho… Eu deixei-lhe um bilhete… Eu pedi-lhe que me ligasse… Disse que o amava e que estava à espera que me viesse buscar. - Que bilhete é esse? Ele não disse nada. - Deixei recado na empresa, quando fui a Luanda procurar por ele… Ele estava na fazenda. Coitado. Já devia estar no poço… Meu Deus… - O meu irmão não voltou ao escritório desde o acidente. É capaz de nunca ter recebido o teu bilhete… - Eu perdi o contacto dele… Eu apaguei… Fui tão estúpida… E agora? O que posso fazer? - Ele está de ...

Capítulo 28 - Ajuste

Capítulo 28 – Ajuste             Passaram-se meses… No início, Fernando foi transferido para o hospital em Luanda e posteriormente para Lisboa. Fernando, tentou manter uma atitude positiva, mas havia dias em que era complicado controlar as emoções.   - Provavelmente o senhor nunca mais vai conseguir andar. Existe uma hipótese remota com o apoio da fisioterapia, mas as taxas de sucesso nestes casos são mínimas. Essas tinham sido as palavras de três médicos. Primeiro no Golungo Alto, depois em Luanda e por último em Lisboa. Todos eram da mesma opinião. Só que nenhum deles conhecia Fernando. Se havia uma hipótese remota ele iria agarrar-se a esses números. Nunca gostou de pertencer às massas, sempre prezou por fazer parte da minoria. Desta vez, tinha mesmo de fazer parte da minoria. Todos os dias voltava ao poço… Acordava suado e confuso. Não fazia ideia de como conseguiu sobreviver. Não fazia ideia de como o conseguir...

Capítulo 27 - Preparativos

Capítulo 27 – Preparativos             Faltavam apenas duas semanas para a data prevista para o parto. Deborah, tinha tudo preparado e organizado. O quarto da bebé, a mala que tinha de levar para o hospital… Apesar de tudo, sentia-se feliz e aguardava ansiosamente a chegada da filha. Sentia-se preparada física e psicologicamente para a nova fase da sua vida. Durante meses chorou a ausência de Fernando, até que se habituou a ela. Amaldiçoou-o ao início, mas depois aceitou que se não fosse o que se havia passado nunca teria engravidado. A presença dele que nem um relâmpago na sua vida teve um propósito: ser mãe. Se não tivesse acontecido dessa forma nunca teria acontecido. E apesar da bebé ainda não ter nascido, Deborah, tinha a certeza de que esta era a maior bênção que poderia ter tido. - Deborah, faltam duas semanas para a bebé nascer, sei que a decisão é tua, mas o Fernando tem o direito de saber. – Laura, pressionou a a...

Capítulo 26 - Limbo

Capítulo 26 – Limbo             Leão e José, carregaram a maca de Fernando, até à carrinha…   A equipa médica do Hospital Municipal do Golungo Alto já se encontrava a aguardar o paciente. Fernando, estava novamente inconsciente. Passaram-se horas até que houvesse notícias… José, nervoso, dava as notícias à Dona Eva, mãe de Fernando. Dependendo do quadro clínico, Fernando seria transportado para Luanda.   Na sala de espera o silêncio era ensurdecedor. O dono da Fazenda, o senhor Castro Paiva, aguardava com os olhos postos na porta, aos sobressaltos sempre que houvesse algum movimento. O afeto que sentia por Fernando, era o afeto de um pai para um filho. Fernando era mais do que um profissional. Era atencioso, meticuloso e desde o início abraçou o projeto como se tratasse da sua própria fazenda. Não seria justo que a fazenda lhe tirasse a vida. Senhor Leão e José, olhavam cabisbaixos para o chão. Ninguém se atrevia...