Epílogo A Chicala, à hora do almoço, era por norma um local movimentado, mas no dia do casamento de Fernando e Deborah, o movimento foi sem precedentes. Carros e mais carros tentavam estacionar perto da barraca da dona Maria Ngundo. Era o primeiro casamento que acontecia na Chicala. Fernando, nervoso, aguardava pela noiva. José ao seu lado, tentava acalmá-lo. Não entendia o motivo de tanto nervosismo. Não só já haviam casado antes, como viviam juntos há mais de um ano. - Doutor, acalme-se. Ela está quase a chegar. Parece um miúdo. - Quando fores tu a casar quero ver se também não ficas nervoso. Os convidados começavam a chegar. Na primeira fila, Laura e George, visivelmente felizes, orientavam as pessoas para os devidos lugares. Dona Eva, sentada ao lado de Dona Maria, segurava a neta nos braços. Ambas avós, de uma forma saudável, lutavam pela atenção da menina. Os primos e familiares de Deborah, falavam an...
Capítulo 30 – Faith Entre a correria para o hospital, as contrações, as dores, os gritos e a confusão na sala de emergências, Deborah e Fernando mal tiveram tempo para falar. Fernando, estava a tentar processar a informação. Grávida. Hospital. Parto. Filha. Pai. Estava a horas ou minutos de ser pai, e só agora tinha acabado de saber. Não sabia se ficava chateado com Deborah, ou com ele próprio. Perdeu as consultas, as ecografias, o primeiro movimento… Perdeu a oportunidade de passar a mão na barriga de Deborah e de falar de mansinho com a filha. Valia a pena procurar culpados? Deborah, ainda tentou falar com ele, ele nem por isso. Usou a cadeira de rodas como uma desculpa para não a encarar. Na realidade, tinha medo da rejeição. Não era fácil adaptar-se à nova realidade e pedir a Deborah que o fizesse parecia injusto. Fernando, acompanhou Debora...