Capítulo 14 – Greenwich
Não dormiu a noite toda. Não conseguia pensar noutra
coisa sem ser na imagem da Deborah, sentada no sofá… O olhar dela carregado de
desejo… Não soube como teve forças para sair dali. Quando a beijava só
conseguia ter a certeza que a queria beijar para sempre. Sim, conheciam-se há
pouco tempo. Sim, só tinham estado juntos duas vezes, mas quando um homem sabe,
um homem sabe. Todos os poros do seu corpo diziam que ela era a mulher da sua
vida. O pragmatismo da Deborah iria um obstáculo ainda maior que a distância,
mas ele estava disposto a superar todas as provas que lhe pusessem à frente.
Às seis da manhã, já estava na porta da casa dela. Ajudou-a
a entrar no Uber e levou-a até Greenwich. Era um dos pontos mais altos de
Londres, e a visão do nascer do sol era simplesmente sublime. Por sorte, embora
estivesse frio, típico de novembro em Londres, não havia nuvens no céu. Caminharam,
até ao topo, de braço dado e em silêncio. Fernando, abriu a mala que carregou
consigo e colocou uma manta no chão. Sentou-se e pediu que ela se sentasse à
sua frente. Ela encostou a cabeça ao seu peito e aninharam-se à espera do sol a
nascer.
O espetáculo do nascer do sol era uma das melhores
maravilhas do mundo. A mudança das cores no céu, os tons cor de laranja a
aparecerem ainda antes do próprio sol. O subir do sol lentamente… Ali, em um
dos pontos mais altos de Greenwich era possível ver-se os raios de sol a espelharem-se
nos prédios… Deslumbrante…
- Obrigada… - Deborah, cortou o silêncio e virou-se
para ele. – Obrigada, lindo.
- Pensei que fosses gostar.
- Se eu disser que nunca tinha visto o nascer do
sol em Londres, acreditas?
- Como pode?
- Associo sempre Londres como um lugar frio… Nunca
pensei em procurar um local para apreciar o nascer do sol. Quando o faço, faço
sempre quando vou a Portugal, em Setúbal.
- Fico feliz que tenhas gostado.
- Sim. Adorei. Sempre vi o nascer do sol voltada
para o mar ou para as montanhas… Vê-lo a nascer numa cidade foi algo completamente
diferente.
- Anda. Não quero que congeles, vamos tomar o pequeno
almoço. Só que vamos ter que descer, para depois voltarmos a subir… Não te
importas, pois não.
- Claro que não. Gosto de caminhar, e não estamos com
pressa, pois não?
- O dia é todo nosso…
Desceram calmamente e tomaram o pequeno almoço. Falaram
sobre tudo e mais alguma coisa. Com cumplicidade terminavam frases que o outro
iniciava e riam-se com a coincidência. Passaram o dia todo em Greenwich.
Visitaram o Cutty Sark, o Observatório e a Linha do Meridiano. Terminaram a
visita, com uma ida ao Planetário. Sentaram-se no auditório e viram o show “Sky
Tonight”. Um espetáculo de estrelas… Após iniciarem o dia com o nascer do sol,
fazia todo o sentido terminarem a observarem as estrelas.
- Vamos para casa? – perguntou, Deborah.
- Estava a pensar levar-te a jantar. Fiz uma
reserva no Shard…
- Quando regressas para Luanda? – perguntou.
- Na segunda de manhã…
- Vieste apenas para três dias?
- Sim. Só tirei dois dias de férias. A sexta e a segunda.
Não consegui mais, e além disso não falei contigo. Não sabia se podias tirar uns
dias. Não quis incomodar. Olha, nem pensei. Só pensei que tinha que estar
contigo, não quis saber como nem por quanto tempo. Tinha que ver-te.
- Neste caso, só temos o resto de hoje e amanhã.
- Sim… Está a passar muito rápido…
- Então, podes cancelar a reserva? Preferia mil
vezes encomendar comida e sentar no sofá contigo, Fernando. Estou tão cansada…
- Claro. Gosto muito mais dessa ideia…
- Gostas de comida chinesa? Aqui não dá para encomendar
franguinho assado. As opções são diferentes, hehehe.
- Já há algum tempo que não como um boa comida
chinesa. Deixa-me chamar o Uber e depois quando chegarmos a casa vemos o que
pedir. Tens menus em casa, certo?
- Claro que sim. Qual é a pessoa que tu conheces
que vive sozinha e não tem menus de take-away em casa?
- Pois… Realmente não conheço nenhuma.
Chegaram a casa e enrolaram-se no sofá. Escolheram
o que comer e Deborah, ligou a televisão. Decidiram-se por escolher algo no
Netflix e após vários debates, optaram por ver uma comédia do Jim Carrey, “Bruce,
Todo Poderoso”.
Riram-se às mil gargalhadas e relutantemente saíram
do sofá para receber a entrega e comer.
- Está a fazer-se tarde. Vou voltar para o hotel…
- Não vás, Fernando. Fica comigo.
- Quero muito, mas…
- Não digas que não podes. Dorme comigo… Vamos
dormir enroscados um no outro.
- Sabes que se eu entrar numa cama contigo, a última
coisa que vou querer fazer é dormir.
- Ninguém te está a impedir de fazeres mais do que
isso… - corou.
- Se soubesses como quero tanto, mas… Não posso.
- Não entendo…
- Deborah, o que mais quero é fazer amor contigo.
Acredita. Mas, não quero banalizar a nossa relação com sexo. Preciso mostrar-te
que é mais do que isso…
- Eu não…
- Eu não quero assustar-te com conversas sobre o
futuro… Mas, quero que entendas que não pretendo… Olha, nem sei como explicar.
- Então não expliques. Fica, simplesmente.
Fernando, acedeu ao pedido e Deborah, deu-lhe a
mão. Guiou-o pelas escadas até ao quarto.
- Toma banho comigo. – Deborah pediu e antes de
esperar a resposta começou a retirar a roupa. Ligou o chuveiro e entrou na
banheira.
Fernando, acompanhou cada segundo daquele momento
mágico e seguiu-a. Entrou na banheira e colocou-se por trás de Deborah. Beijou-lhe
os ombros e o pescoço. Passou-lhe gel no corpo. Observou cada porção do seu
corpo com luxúria. Estava prestes a perder o controlo, mas não iria voltar
atrás com a sua decisão. Deborah, virou-se para ele. Fernando, observou-lhe as
curvas, os seios, o sexo… agachou-se e começou por lavar as suas pernas. Foi
subindo devagar… Passou-lhe as mãos no ventre e nos seios… Beijou-a na boca.
Deborah, gemia a cada toque das mãos de Fernando. Tentou agarrar-lhe o sexo,
mas Fernando prendeu-lhe as mãos e pediu-lhe que não o fizesse… Por favor…
Tiraram o sabão do corpo e Fernando, saiu da banheira, e passou-lhe a toalha. Estava
em transe completo, mas numa missão. Ajudou-a a sair da banheira e secou-lhe o
corpo. Secou-se e voltou a colocar os boxers. Deborah, colocou a camisa de
dormir e deitou-se na cama. Fernando, deitou-se ao lado dela e abraçou-a em
concha. Beijou-lhe os ombros e o pescoço. Apertou-a mais contra si… A vontade
de fazer amor com ela era tanta ao ponto de doer-lhe o sexo.
Nenhum dos dois proferiu uma palavra. Permaneceram
em silêncio e com a respiração ofegante. Deborah, por fim adormeceu. Fernando,
observou-a dormir com um aperto no peito. Em breve teria de ir embora. Como é
que iria conseguir voltar para Luanda? Como é que iria conseguir viver sem
Deborah ao seu lado? Que sentimento avassalador era aquele? No que é que se
tinha metido? Como iriam fazer?
Deborah, obviamente tinha a vida bem estabelecida
em Londres. Ele nunca iria conseguir morar naquela cidade. Não podia pedir para
largar tudo e ir com ele, muito menos para Luanda. E ele sabia, que viver em
Londres seria um pesadelo. Nunca tinha pensado em como iriam fazer. Só sabia
que tinham que ficar juntos. Queria passar o resto da vida dele com Deborah,
mas como? Por mais que pensasse não conseguia encontrar uma solução que
agradasse a ambos. E filhos? Será que ela queria filhos? E se ela não quisesse?
E se… E se ela recusar? Não tinha pensado em nada disto… A mania que tinha de
seguir o coração. Agora era tarde demais, precisava dela. Conseguiria viver sem
ela, mas não seria a mesma coisa. A semana em Luanda, longe dela, tinha sido um
inferno.
E… E se ela não quisesse continuar esta relação? E
se… Nunca foi um homem de ter medo, mas naquele momento estava completamente
aterrorizado e perdido, sem saber o que fazer. Só tinha uma certeza, tinha que
arranjar uma forma de manter Deborah na sua vida. Por vezes, um homem tem de sacrificar
tudo o que tem…
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