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Capítulo 15 - Falar Sério a Brincar


Capítulo 15 – Falar Sério a Brincar

Deborah, acordou com o cheiro de bacon e ovos… Desceu as escadas e encontrou Fernando, na cozinha a preparar o pequeno almoço. Ficou encostada, na porta, a observá-lo. Ele encaixava tão bem na sua vida… Tinha a sensação de que já se conheciam há tanto tempo. Com ele, de repente, tudo o que não fazia sentido começou a encaixar-se nos devidos lugares. Imaginou o futuro, ela, ele, ali, naquela cozinha, e os filhos a correr pela sala em pijama… Os filhos… Deborah, assustou-se com o pensamento. Filhos? Nunca tinha pensado em ser mãe. Adorava crianças, mas sempre se viu no papel de tia. Mãe? Ela, mãe?
Afastou o pensamento da cabeça. Estava cansada de pensar. Naquele momento, precisava apenas de apreciar o momento. E, naquele preciso momento, tinha um homem maravilhoso à sua frente e na cozinha!
- Não sabia que tinhas dotes de culinária. – Interrompeu, enquanto se aproximou e abraçou-o pelas costas.
- Dotes? Não vou permitir tamanho insulto, minha senhora. Digo-lhe já que eu sou chef! Tirei dois cursos de culinária, caso vossa excelência não saiba… - Virou-se e beijou-a na testa.
- Cursos? Que sorte a minha. Não sei cozinhar e saiu-me na rifa um cozinheiro. Vou ser feliz para a vida toda… Feliz e gordinha, se não te importas…
- Para a vida toda, é? Estás a dizer que vais escravizar-me e nomear-me teu cozinheiro pessoal?
- Se aceitares o cargo, porque não? Mas, primeiro tenho que aprovar. Deves ser do tipo de chefs que faz comida bem boa, mas em quantidades minúsculas. Eu sou luso angolana, “pito bué”.
- Ahahaha, e eu também. Na minha casa as panelas são grandes, minha menina. E quero ver se há apetite. Tu só falas… Ontem, até fiquei preocupado. Comeste tão pouco…
- Tiras-me a fome… Tu tiras-me a fome… - abraçou-o e beijou-o apaixonadamente.
- Lá está a cliente a tentar tirar a concentração ao cozinheiro… Depois se a comida queimar vai dizer que o cozinheiro é que não presta. Vá sentar-se na sala, minha menina, e deixe o chef fazer arte.
- Comida queimada? Nem pensar. Vou colocar a mesa, e deixá-lo trabalhar… Estou estupefacta, de onde veio esta comida toda? – questionou ao verificar que havia croissants quentes, sumo de laranja, bolo de laranja.
- Fui à loja, não tinhas nada em casa. Nem ovos! Não andas a alimentar-te bem…
- Raramente como em casa. Moro sozinha… Não tenho vontade de cozinhar. Acabo sempre por ir a um café, restaurante, jantar com colegas, almoço na casa da mãe… E vou me safando assim.
- Agora percebo por que motivo estas panelas parecem novas. Mas, estou cá eu para dar-lhe uso.
Sentaram-se à mesa e Deborah deliciou-se com os ovos mexidos. Estavam mesmo da forma como ela gostava. Fernando, era, realmente, uma caixa de surpresas. Cada segundo que passava mais apaixonada ficava. Mas, amanhã ele iria regressar e a vida ira retornar à realidade. Aquele momento era parte de um sonho do qual em breve iria acordar.
- Sim, mãe. Obrigada. Eu também amo-te muito. Já sabes que eu não celebro o meu aniversário… Não, não vou fazer nada na terça-feira. Sim, passo por aí. Beijinhos. – Deborah, desligou. – Desculpa, era a minha mãe. Sei que não se atende o telefone enquanto estamos a comer, principalmente iguarias cozinhadas por um chefe tão especial.
- Se há alguém que temos que atender é sempre a nossa mãe. Eu por norma fujo da minha porque ultimamente só liga para cobrar netos. Acha que nunca vai ser avó. Não a censuro, os meus primos todos têm carradas de filhos.
- Só tu é que não tens… Algum motivo especial? – Perguntou, como que a tentar saber qual a sua opinião sobre o assunto.
- Não, apenas nunca tinha encontrado alguém com quem quisesse ter uma relação séria, muito menos formar uma família. Filhos não são troféus. São a maior responsabilidade e a maior bênção que alguém pode ter na vida. Não se trazem ao mundo, só por trazer.
- Concordo. Nunca pensei muito nesse assunto, o relógio biológico nunca despertou, até…- Deborah, calou-se antes de falar mais do que queria…
- Até agora? Era isso que ias dizer? – Perguntou Fernando, enquanto a segurou nas mãos e fixou o olhar no dela.
- Sim… - respondeu a medo. – Olha nem sei, estava a ver-te cozinhar e imaginei esta casa cheia de miúdos e… Foi uma coisa de momento. Veio-me ao pensamento. Acho que foi o cenário, parecia uma cena de um filme. Deve ser isso…
- Engraçado. Também pensei que faltava isso para completar o cenário… - Beijou-lhe as mãos e continuou a comer. – Estamos a desperdiçar esta comida. Vamos tratar de acabar este pequeno almoço que temos coisas para fazer hoje.
- Temos? Pensei que íamos ficar o dia todo em casa, no sofá…
- Queres manter-me dentro de quatro paredes e massacrar-me, não é? És maquiavélica…
- Só te massacras se quiseres. Já sabes que tens carta verde…
- Incrível, a minha donzela a querer corromper-me. Casas comigo primeiro e depois sentamos no sofá. – disse em tom de brincadeira, mas sem ser a brincar.
- Olha, da forma como isto está – direcionou o olhar para os mamilos rijos – casava contigo agora mesmo.
- E eu dizia, sim – respondeu apontando para os boxers. – E depois? Pedias o divórcio logo a seguir.
- A performance seria assim tão má? – respondeu a brincar.
- Queres provocar, não queres? Queres provocar… Vamos supor que a performance seria péssima, e depois?
- Até que a morte nos separe… Iriamos ter que repetir a performance por várias vezes até atingirmos a perfeição. O padre diz na saúde e na doença, no bom e no mau sexo… - riu.
- Até que a morte nos separe… Muitas performances… Este casamento já promete.
- Não te esqueças dos filhos…
- Sim, claro. Dois para começar… Depois logo se vê o resto.
- Dois e de preferência gémeos. Assim sofro tudo de uma vez. Mais fácil.
- Concordo. Ok. Dois. Fechado. – Fernando, consentiu.
- Já temos os termos e condições todas aceites… Só falta decidirmos onde vamos morar.
- Tem de ser uma vivenda. Precisamos de espaço para os miúdos correrem e também para o nosso cão, o Bobby.
- Pois claro, não seria a família perfeita sem uma vivenda e um cão. – Deborah, falou em tom de chacota.
- Está tudo tratado, vamos casar então.
- Então se já está tudo tratado, podemos ir para o sofá… - Deborah, levantou-se e sentou-se no colo de Fernando. Beijou-o e passou-lhe as mãos pelos cabelos. Beijou-lhe o pescoço…
- Esta donzela, saiu-me mesmo muito moderna. Só quer tirar vantagem de mim. Eu não sou desses menina, quero ver o papel passado. – Beijou-a na boca e afastou-a delicadamente do colo. Deu-lhe uma palmadinha nas nádegas e sorriu. – Estamos a ficar sem tempo. Vai arranjar-te enquanto eu tiro a mesa, tenho uma surpresa para ti.
- Mais surpresas? Assim vais mimar-me.
- Considera o nosso presente de aniversário, o meu com uns dias de atraso e teu com uns dias de avanço. Vá despacha-te.
Enquanto tomava um duche rápido, Deborah, pensou na conversa que acabaram de ter. Em tom de brincadeira falaram sobre alguns assuntos importantes. Será que era brincadeira? Para ela não, tudo o que falou foi o que sentia. Por mais incrível que pareça via-se casada com aquele homem maravilhoso… Só tinha medo de estar a sonhar demais.
- Fernando, afinal de contas onde vamos? – perguntou pela porta da casa de banho. – Preciso saber o que vestir.
- “Tant pis. Nous allons à Paris. La ville de l'amour ... La ville de l'amour ...
Paris? Fernando, não deixava de a surpreender.

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