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Capítulo 16 - Paris


Capítulo 16 –  Paris

Apanharam o Eurostar em Kings Cross. Seria a primeira vez que Fernando fazia a viagem a Paris de comboio. Paris era uma das suas cidades de eleição. Adorava passear pela cidade, sentar-se em um dos pequenos cafés tradicionais, andar pelos Campos Elíseos…
Saíram do metro e a primeira coisa que viram foi o Arco do Triunfo. Subiram as escadas em caracol, de mãos dadas, e observaram o horizonte. Beijaram-se, uma e outra, e outra vez, e desceram em direção à Avenida dos Campos Elíseos. Caminharam desde o Arco do Triunfo até à porta de entrada do Louvre. As calçadas largas e rodeadas de árvores, e muitas lojas de luxo. Deborah, não resistiu à tentação de comprar um cachecol, usando a desculpa do frio. Enquanto Deborah comprava o cachecol, Fernando entrou numa loja e saiu com um pacote pequeno no bolso.
Antes de entrarem no Louvre, caminharam pelos Jardins dos Campos Elíseos. As cores do outono e as folhas caídas no chão deram um encanto especial aos jardins. Deborah, adorava as árvores vestidas de diferentes cores e apesar do frio, o Outono era uma das suas estações do ano favoritas.
Apreciaram o Palácio Grande e o Palácio Pequeno. Após, atravessaram a Ponte Alexander III, bem ornamentada de estátuas e com uma vista maravilhosa da Torre Eiffel. Rumaram ao Palácio dos Inválidos e visitaram o túmulo de Napoleão Bonaparte. Decidiram comprar umas sandes e comer pelo caminho, enquanto caminhavam pelo Bairro Quartier Latin. Observaram a fonte de Saint Michel e perderam-se por completo na livraria Shakespeare and Company.
As horas passaram a correr e Fernando, sentia cada vez mais o coração apertado. Estava a chegar a hora de irem embora e no dia seguinte estaria de regresso a Luanda. Fez umas quantas chamadas e começou a preparar-se para a despedida.
- A próxima e última paragem será a Torre Eiffel. – Suspirou.
- Fernando, podemos fazer o dia andar para trás? Não quero que este dia acabe nunca.
- Deborah, mais dias como este virão. Ainda bem que estás a gostar da nossa caminhada.
- Posso dizer-te que é uma das melhores caminhadas que eu já fiz, melhor que esta só a de Greenwich.
- Greenwich melhor que Paris? Não posso acreditar.
- A primeira caminhada contigo, será sempre a melhor.
Beijaram-se e dirigiram-se à Torre Eiffel. Fernando completou mais umas chamadas e ficou cada vez mais nervoso.
Ao chegarem ao Campo de Marte, viram a Torre em todo o seu esplendor. Para tornar o espetáculo ainda mais bonito as luzes tinham acabado de acender. Piscaram durante 5 minutos e Deborah e Fernando beijaram-se apaixonadamente.
As lágrimas no rosto de Deborah, surpreenderam Fernando.
- Então? Não chores… Vais partir-me o coração.
- Não consegui conter a tristeza. Estou tão feliz e tão triste ao mesmo tempo. Não quero que este dia acabe. Preciso de mais dias como este.
- Vamos ter muitos mais… Prometo.
- Como? As nossas vidas são tão… A distância… Amanhã, amanhã quero estar contigo. Quero chegar a casa e abraçar-te…
- Deborah, nós havemos de arranjar uma forma de superar isto. Iremos arranjar uma solução. Eu… Isto que nos une é maior que qualquer distância… Eu… Eu…
Fernando, calou-se, agachou-se e colocou um joelho no chão. Tirou o pacote que tinha no bolso e tirou de lá uma pequena caixa aveludada. Deborah, olhava incrédula.
- Deborah, eu sei que pode parecer loucura… Eu não consigo imaginar uma vida na qual tu não faças parte. Sei que nos conhecemos há tão pouco tempo, mas… Eu sei que és a mulher da minha vida. Não sou nenhum miúdo… Não estou a falar da boca para fora… Estou a falar-te com a minha alma e o meu coração… Casa-te comigo… Permite-me fazer parte da tua vida. Aceita-me como teu…
Deborah, continuou de boca aberta e com lágrimas a rolarem pelo rosto. Sem falar, deu-lhe a mão e colocou o anelar à sua disposição. Fernando, carinhosamente colocou o anel e beijou-lhe a mão. Abraçou-a pela cintura e Deborah, beijou-lhe a testa. Fernando, levantou-se devagar e beijou-a na boca. Um beijo salgado, com sabor a lágrimas de alegria.
- Não respondeste à minha pergunta, Deborah Patrícia.
- Sim. Sim. Caso contigo. Caso contigo agora se for preciso. Que sejamos loucos juntos…
- Ah… O meu coração tinha esperança de que dissesses isso…
Fernando, fez um sinal e do nada apareceram dois músicos a tocar violino. Deborah, observou espantada. Em sua direção surgiu um fotografo, e um senhor com um livro na mão e um pano branco, longo, sobre o mesmo.
- Je suis ton officiante. Êtes-vous prêt à vous marier? – disse em francês.
Deborah, incrédula, assentiu com a cabeça. Será que estava mesmo a acontecer?
- Oui. – Fernando, olhou para Deborah à espera de confirmação. – Oui nous sommes.
E assim, com a Torre Eiffel por trás, ao som do violino, com nada mais do que sonhos e esperanças, ambos prometeram amar-se para sempre.
A cerimónia terminou e continuaram abraçados… Os violinistas, o fotógrafo e o oficial afastaram-se e Deborah e Fernando continuaram abraçados. Aguardaram pela hora e esperaram que a Torre Eiffel pisca-se ao mundo o que havia acabado de acontecer…
- Não acredito… Acabamos mesmo de… Estamos mesmo…
- Sim. Estamos casados, Deborah. Obviamente que teremos que preparar uma cerimónia tradicional porque calculo que a tua mãe seja capaz de te matar se sabe que te casaste sem ela, e a minha mãe não seria capaz, matava-me mesmo…
- Estamos mesmo casados? Isto acabou de acontecer?
- Já queres o divórcio? – perguntou a brincar?
- Quando preparaste isto? Como?
- Durante o dia, fiz algumas chamadas. Soube de alguns amigos que fizeram algo semelhante em Paris, pedi-lhes o contacto. Nunca pensei que o conseguisse fazer tão rápido, mas…
- Não paras de me surpreender, senhor meu marido.
- Música para os meus ouvidos, senhora minha esposa. Agora peço-lhe que se despache porque temos um comboio para apanhar.
- Sim… o dia vai acabar… - Deborah, lembrou triste.
- Antes de acabar, estou morto por passar a minha lua de mel no teu sofá! – sorriu com um olhar carregado de luxúria.
Deborah, sorriu e corou de imediato. Ao menos, agora não tinha mais porque esperar… Correram para o Uber que os levaria à estação. Nunca ambos sentiram tanta vontade de sentar-se no sofá.

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