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Capítulo 17 - Núpcias


Capítulo 17 – Núpcias

            Era inacreditável. Deborah, oficialmente havia perdido a cabeça. Casar? Era mesmo verdade que havia acabado de trocar votos de promessas eternas com o Fernando. Era mesmo verdade? O melhor seria parar de pensar e aproveitar o momento e deixar-se levar pelo entusiasmo de Fernando. Não era um casamento a sério, ou era? Era um casamento simbólico. Nos Estados Unidos este tipo de cerimónia é considerada oficial, será que na Europa também? Mesmo que não fosse, o que importa é o que ambos sentiam. Promessas são promessas e devem ser cumpridas.
Chegaram a casa já depois da meia-noite. Fernando, pediu-lhe as chaves, abriu a porta e pegou-a ao colo. Disse que tinham que entrar com o pé direito na nova vida. Deborah, abraçou-o e deixou-se levar. Fernando, poisou-a, com cuidado, no sofá e deu-lhe um beijo na testa. Olhou-a nos olhos e reafirmou o quanto a amava.
- Eu amo-te, Deborah. Eu amo-te e quero partilhar o resto da minha vida contigo. Eu sei, eu sei que isto parece loucura, mas é a pura realidade.
- Eu… Eu sei… Eu sinto o mesmo… Só tenho medo de estar a confundir sentimentos… Eu também… Eu também amo-te muito.
- Estás com dúvidas? Se estiveres com dúvidas…
- Estou reticente… Não sei se estou a sonhar… Não sei se…
- Eu só sei que de repente, imaginar a minha vida sem ti ao meu lado…
- Nós nem pensamos sobre o que vamos fazer a seguir… Onde vamos morar? Como? Vamos viver à distância e encontrarmo-nos esporadicamente.
- Havemos de pensar em uma forma de fazer isto resultar. Havemos de chegar a uma decisão que seja benéfica para os dois. Juntos podemos decidir… Não precisamos de nos apressar…
- Não? É que pelo que eu percebi acabamos de o fazer…
- Então é isso… Estás a falar da nossa cerimónia? Do nosso casamento? Queres retirar os teus votos? – perguntou, magoado.
- Não? Não é isso… É que… Nós não pensamos… Eu tenho as minhas coisas planeadas, controladas… Agora não sei o que fazer…
- Se quiseres, se te sentires mais confortável podemos anular tudo…
- Anular? Não sei sequer se tem validade…
Fernando, levantou os olhos e forçou-a a olhar diretamente para ele.
- Não tem validade? Como não tem validade? Eu e tu, perante estranhos, testemunhas, acabamos de prometer amor e fidelidade, cumplicidade… Isto não tem validade… - respondeu, irritado. – Este anel na tua mão não tem validade? Se não tem porque aceitaste?
- Escuta-me, Fernando. – Deborah, pediu, agarrando-lhe ambas as mãos. – É claro que tem validade para mim e para ti. É claro que para nós tem validade. Só não tem a nível jurídico… Acho…
- Deborah, o casamento é uma cerimónia em que ambos trocam votos de vida eterna perante testemunhas. Nós os dois acabamos de casar… Juridicamente, posso perguntar ao Oficiante qual a validade na Europa. Sei que em alguns países conta. Mas, eu não estou preocupado com isso. Vais ter o teu casamento de sonho… Vais descer o altar… Vais ter os teus amigos e a tua família à espera… Vais ter o casamento que o mundo precisa de ver para confirmar aquilo que já sabemos… Entretanto, para mim, o que se passou entre nós, os votos que acabamos de trocar valem muito mais que isso…
- Não quis chatear-te… Estou apenas a… Espera… - perguntou, com meio sorriso nos lábios. – Acabamos de ter a nossa primeira discussão.
- Não diria discussão, diria… - sorriu. – Vês? Já te estás a comportar como uma mulher casada, a querer discutir com o marido.
- Não é isso que os casais fazem? Discutem?
- O que os outros fazem não sei, mas nós não. Nós expomos a nossa opinião e tentamos chegar a um acordo em que ambos consideremos as condições satisfatórias.
- Ah, então somos um casal diferente…
- Claro, que somos. Agora vamos chegar a um acordo?
- Ok. Vamos a isso. Qual o acordo?
- Primeiro, preciso saber, daqui para a frente. Estamos casados ou não, Deborah? O nosso casamento foi real para ti, ou consideras apenas simbólico?
- Real. – olhou-o nos olhos com o coração a bater acelerado. - Valido os meus votos…
- Ótimo. Eu também considero real. Chegamos a um acordo. És oficialmente minha esposa.
- Sim, meu marido. – Sorriu.
- Em relação às questões práticas, podemos analisar depois? Pensar a logística das coisas…
- Sim… Neste momento nem tenho cabeça para pensar…
- Pois. Nem eu… Quando te trouxe para este sofá, não tinha em mente iniciar a primeira discussão… A minha ideia era outra… - Beijou-a.
- Este sofá, está a ser alvo de muitas primeiras…
- Senhora, minha esposa. – Interrompeu-a. – Podemos parar de conversa e dar início à nossa lua de mel? É que eu estou um pouco desesperado… - Pegou não mão de Deborah e colocou-a sobre o seu sexo. Deborah, corou de imediato.
- Sim, senhor meu marido… - respondeu, com a voz sumida e trémula.
Fernando, subiu ligeiramente o vestido de Deborah e com ambas as mãos procurou o início das collants de seda. Fixou o olhar nos olhos de Deborah enquanto suavemente e muito lentamente baixava as collants. À medida que ia descendo acariciou-lhe as pernas, num gesto suave… Colocou as collants no chão e iniciou uma jornada de beijos desde os dedos dos pés até ao interior da coxa de Deborah. Por cada beijo que dava, parava por segundos para dizer que a amava. Um beijo, uma declaração… Um beijo, uma declaração…
Deborah, ofegante, tentou puxar Fernando para si, beijá-lo na boca… Fernando, não permitiu… Travou-lhe os movimentos com a mão.
- Deixa-te estar quieta… Quero fazer amor com a minha esposa… Não te mexas, deixa-me saborear-te. Terás a tua vez… - falou entre beijos…
Colocou as mãos por trás do vestido e baixou o fecho. Elevou-lhe ligeiramente as ancas, para conseguir remover o vestido que estava preso por baixo das nádegas. Muito lentamente, tirou o vestido, levantando-lhe os braços sobre a cabeça. Suspirou ao vê-la em roupa interior.
- És perfeita… Perfeita…
Beijou-lhe o ventre, enquanto passava as mãos pelas suas costas em movimentos ascendentes, suaves, mas com ligeira pressão. Desapertou o sutiã e atirou-o para o chão. Contemplou-lhe os seios antes de beijar-lhe delicadamente os mamilos. Deborah, gemeu ofegante… Fernando, beijou-a suavemente e depois com paixão. Começou a perder o controlo. Deborah, ajudou-o a tirar a camisa e desapertou-lhe as calças. Beijou-lhe o torso. O pescoço... Os lábios… Abraçaram-se e beijaram-se desesperadamente. Fernando, removeu-lhe as cuecas e beijou-lhe ternamente o sexo. Saboreou a sua humidade e afastou-lhe as pernas… Ia penetrá-la quando parou abruptamente.
- Deborah... não tenho proteção… Esqueci-me… - falou entre suspiros e afastou-se dela…
Deborah, enlaçou-o com as pernas e não permitiu que ele se movesse.
- Eu… Caramba… Pensei em tudo… Caramba… - olhou-a nos olhos…
- Eu não tenho doenças sexualmente transmissíveis. Posso garantir-te…
- Eu também não. Fiz o último teste há muito pouco tempo, mas… Uso sempre… Caramba…
- Fernando… Cala-te e termina o que começaste… - Deborah, beijou-o o permitiu que continuasse.
Fernando, beijou-lhe novamente os seios, o pescoço, por trás das orelhas, acariciou-lhe o corpo… Quando não aguentou mais penetrou-a suavemente. Deborah, fincou-lhe as mãos nas costas e gemeu descontroladamente. Fernando, aumentou a intensidade dos movimentos até ambos explodirem num orgasmo simultâneo. Beijaram-se e abraçaram-se estafados. Deixaram-se estar por alguns minutos. Fernando, carregou a Deborah no colo, e levou-a até ao quarto.
- A sede do sofá já terminou. Agora vamos experimentar a cama…
Deitou-a sobre a cama e fizeram amor uma vez mais… E outra no chuveiro… E outra vez na cama, aninhados um no outro.
- Meu amor… - Fernando, quebrou o silêncio. – Vou odiar as palavras que vou proferir agora… Tenho de ir embora.
- Eu sei… A que horas é o teu voo? – Deborah, respondeu com um soluço.
- Por volta das onze… Tenho de ir para o hotel e depois para o aeroporto…
- Eu tenho de ir trabalhar… Posso ligar para entrar mais tarde…
- Não quero que vás até ao aeroporto, vai custar mais assim… Deixa-te dormir… Eu vou sair de mansinho quando adormeceres…
- Quero despedir-me de ti…
- Vai custar mais… E não é despedir, é um até já…
Deborah, adormeceu a custo. Acordou e olhou para a cama vazia do seu lado… Agarrou-se à almofada e chorou desalmadamente. Não aguentava com a dor que sentia no coração. Como é que iria aguentar viver assim? Como?

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