Epílogo
A Chicala,
à hora do almoço, era por norma um local movimentado, mas no dia do casamento
de Fernando e Deborah, o movimento foi sem precedentes. Carros e mais carros tentavam
estacionar perto da barraca da dona Maria Ngundo. Era o primeiro casamento que
acontecia na Chicala.
Fernando, nervoso, aguardava pela noiva. José ao
seu lado, tentava acalmá-lo. Não entendia o motivo de tanto nervosismo. Não só já
haviam casado antes, como viviam juntos há mais de um ano.
- Doutor, acalme-se. Ela está quase a chegar.
Parece um miúdo.
- Quando fores tu a casar quero ver se também não
ficas nervoso.
Os convidados começavam a chegar. Na primeira fila,
Laura e George, visivelmente felizes, orientavam as pessoas para os devidos
lugares. Dona Eva, sentada ao lado de Dona Maria, segurava a neta nos braços.
Ambas avós, de uma forma saudável, lutavam pela atenção da menina. Os primos e familiares
de Deborah, falavam animadamente com os restantes convidados. Senhor Fernando
Castro Paiva, senhor Leão, e os ajudantes da Fazenda Boa Vontade,
encontravam-se sentados na terceira fila.
A barraca da Maria Ngundo tinha sido decorada por forma
a acolher o casamento. As mesas colocadas em fila à esquerda e à direita da
barraca. Ao fundo, uma mesa na direção da porta de entrada e quatro filas de
cadeiras, à semelhança de uma igreja, umas de um lado e outras do outro, com um
pequeno corredor no meio.
A música começou a tocar e, Fernando, viu Deborah a
aproximar-se. Tinha um vestido branco, à moda grega, apenas até ao tornozelo, e
uns ténis brancos. Fernando, sorriu ao ver os ténis, realmente nem o casamento
a fizera usar saltos. O cabelo em afro, com uma pequena flor branca no topo. Estava
deslumbrante, simplesmente deslumbrante.
Fernando, a custo conseguiu levantar-se da cadeira.
Não conseguia ficar muito tempo de pé, mas fez questão de o fazer durante a
cerimónia. Lado a lado, voltaram a repetir os votos que haviam dito em Paris.
Beijaram-se apaixonadamente e Deborah, ajudou-o a sentar-se.
O menu do casamento era simples: peixe grelhado,
banana pão assada, mandioca e batata cozida. Dona Maria Ngundo, já tinha a
barraca há muitos anos, mas nunca tinha visto tal coisa: um casamento na Chicala.
Apesar de humilde, com poucas condições, a Chicala tinha uma magia que só quem
a frequenta consegue explicar.
FIM
Comments
Post a Comment