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Capítulo 31 - Epílogo


Epílogo

            A Chicala, à hora do almoço, era por norma um local movimentado, mas no dia do casamento de Fernando e Deborah, o movimento foi sem precedentes. Carros e mais carros tentavam estacionar perto da barraca da dona Maria Ngundo. Era o primeiro casamento que acontecia na Chicala.
Fernando, nervoso, aguardava pela noiva. José ao seu lado, tentava acalmá-lo. Não entendia o motivo de tanto nervosismo. Não só já haviam casado antes, como viviam juntos há mais de um ano.
- Doutor, acalme-se. Ela está quase a chegar. Parece um miúdo.
- Quando fores tu a casar quero ver se também não ficas nervoso.
Os convidados começavam a chegar. Na primeira fila, Laura e George, visivelmente felizes, orientavam as pessoas para os devidos lugares. Dona Eva, sentada ao lado de Dona Maria, segurava a neta nos braços. Ambas avós, de uma forma saudável, lutavam pela atenção da menina. Os primos e familiares de Deborah, falavam animadamente com os restantes convidados. Senhor Fernando Castro Paiva, senhor Leão, e os ajudantes da Fazenda Boa Vontade, encontravam-se sentados na terceira fila.
A barraca da Maria Ngundo tinha sido decorada por forma a acolher o casamento. As mesas colocadas em fila à esquerda e à direita da barraca. Ao fundo, uma mesa na direção da porta de entrada e quatro filas de cadeiras, à semelhança de uma igreja, umas de um lado e outras do outro, com um pequeno corredor no meio.
A música começou a tocar e, Fernando, viu Deborah a aproximar-se. Tinha um vestido branco, à moda grega, apenas até ao tornozelo, e uns ténis brancos. Fernando, sorriu ao ver os ténis, realmente nem o casamento a fizera usar saltos. O cabelo em afro, com uma pequena flor branca no topo. Estava deslumbrante, simplesmente deslumbrante.
Fernando, a custo conseguiu levantar-se da cadeira. Não conseguia ficar muito tempo de pé, mas fez questão de o fazer durante a cerimónia. Lado a lado, voltaram a repetir os votos que haviam dito em Paris. Beijaram-se apaixonadamente e Deborah, ajudou-o a sentar-se.
O menu do casamento era simples: peixe grelhado, banana pão assada, mandioca e batata cozida. Dona Maria Ngundo, já tinha a barraca há muitos anos, mas nunca tinha visto tal coisa: um casamento na Chicala. Apesar de humilde, com poucas condições, a Chicala tinha uma magia que só quem a frequenta consegue explicar.
FIM

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